O espetáculo Interior, com dramaturgia de Jhonny Salaberg, estreia no Sesc Avenida Paulista em 12 de novembro e ficará em cartaz até 13 de dezembro de 2026.
Com direção de Dinho Lima Flor, a peça investiga os múltiplos sentidos da expressão ‘interior’, abrangendo desde cidades do interior do Brasil até aspectos íntimos da memória e do afeto.
O projeto reúne vivências de quatro artistas de diferentes regiões, que trazem experiências pessoais e histórias compartilhadas para a construção da dramaturgia.

O espetáculo se conecta com temas relevantes como a migração, as relações cotidianas e a força da mulher no contexto de transformação social em várias localidades do Brasil.
A proposta do espetáculo Interior
Interior é uma proposta teatral inovadora que explora os diversos sentidos da palavra que denomina a peça. Desde a representação das cidades do interior do Brasil até as dimensões mais íntimas do corpo humano, da memória e do afeto, o espetáculo busca apresentar uma reflexão profunda sobre a dificuldade contemporânea de sonhar, especialmente nas grandes metrópoles. O Sesc Avenida Paulista é o palco da estreia desta obra, que ocorrerá em 12 de novembro e seguirá em cartaz até 13 de dezembro, com sessões de quinta a sábado às 20h e aos domingos e feriados às 18h.
The interior é simbolicamente restrito ao ritmo frenético das cidades, servindo como um território onde o tempo desacelera, permitindo que o corpo encontre descanso e a imaginação se expanda. A peça entrelaça relatos de diferentes gerações e regiões do Brasil, utilizando experiências pessoais e histórias compartilhadas para ilustrar modos de vida impactados por elementos como o trabalho, a oralidade e a resistência cotidiana.
A equipe envolvida na produção
O processo criativo de Interior é fruto da colaboração de um talentoso grupo de artistas, incluindo Jackson Gleizer, Sammer Iêgo Lemos, Joy Catharina e Lakís Farias, que representam diferentes regiões do Brasil, como o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, Piracicaba em São Paulo e Ibicuí na Bahia. A diversidade das vivências trazidas por esses artistas alimenta a dramaturgia, que possui um caráter poético e documental, aproximando lembranças pessoais de narrativas coletivas.
Em 2024, parte do grupo participou de um intercâmbio no Vale do Jequitinhonha para vivenciar a cultura local e aprofundar a pesquisa sobre os modos de vida da região, o que também impactou a criação do espetáculo. As trajetórias dos personagens e dos intérpretes se entrelaçam na cena, permitindo uma rica troca cultural e artística.
Temáticas abordadas na peça
A obra Interior traz à tona questões relevantes, como as experiências de partida e permanência dos personagens, entre eles Jacira, Vicente, Rosália e Geneci, cujo enredamento de vidas ilustra a migração e suas consequências. A personagem de Rosália, por exemplo, representa as mulheres que permanecem em seus lares enquanto seus companheiros partem em busca de trabalho, revelando a força e resiliência femininas.
Essas narrativas não apenas englobam as dimensões geográficas do interior, mas também se aprofundam nos espaços íntimos que cada um carrega. O espetáculo evidencia também as vozes de trabalhadores e trabalhadoras que frequentemente não têm destaque nas narrativas tradicionais, como costureiras, boias-frias e artesãs do barro, revelando a riqueza da cultura popular e das trocas de saberes.
A proposta encena gestos manuais, simbolizando trabalho e sobrevivência, enquanto a sonoridade da peça, com músicas, anúncios de rádio e listas faladas, compõe um mosaico de vozes e lembranças que destaca a importância das experiências cotidianas. Assim, Interior transforma as mãos que constroem histórias de vida em uma verdadeira obra de arte cênica, convidando o público a refletir sobre questões de pertencimento e identidade.

Especialista com vasta experiência em redação de artigos para sites e blogs, faço parte da equipe do site JornaldaPaulista.com.br na criação de artigos e notícias.
