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Coletânea de Poemas e Ensaios XIV

Para crianças:

 

Geografia do dedo duro

 

Quebrei o braço

Caí do muro

Fiquei com o dedo duro

 

Ganhei um globo de presente

Achei chato, não fiquei contente

Pensando bem, depois de muito olhar

Encontrei Madagascar

 

Nooossa! deu para ver o mundo

Fui para São Paulo em um segundo

Goiânia é a capital de Goiás

Nessa parte fiquei um ás

 

E os pontos cardeais

Esses dão demais

Norte, Sul, Leste, Oeste

Aprendi que pode misturar tudo

Marrakesh e Bangladesh

Nordeste, Sudeste, Centro Oeste

 

Paralelos e meridianos

Trópicos e oceanos

Só escorreguei o dedão

Fui parar num vulcão

 

Viajei por todos os continentes

Nadei contra correntes

Vi todas as cores, voei pelos ares

Naveguei pelos mares

 

Fui marinheiro, pirata, pescador

E logo fui parar em Equador

Dei uma de louco, impertinente

Parei no meio do Oriente

 

Gostei da brincadeira, fui com tudo

Me dei mal, por falta de sorte

Passei frio no Polo Norte.

 

Rolei o globo depressa, sem medo

Saiu do eixo, segurei com a ponta do dedo

Fiquei quietinho, para não dar nota

Caí no país da bota

Ainda bem, que ela chuta a ilha

E não a minha virilha

 

Não interessa se é América

Ásia, Oceania, Europa e África

O que entendi logo de primeira

Desertos, montanhas e vales

Aonde já se viu

Meu país é o Brasil

 

Meu país é o Brasil

 

Adoro comer

 

Salada de pepino, alho, cebola e limão

Eu quero comer macarrão

Brócolis, arroz branco e mandioca

Eu quero comer pipoca

 

Não força não

Nada de quiabo, jiló e tomate

O que eu quero mesmo é chocolate

 

Mamãe faz dieta

Até o meu café com leite, pão e manteiga com sal

Virou meu presente para o próximo Natal

Hoje tomo leite de soja e pão integral

 

A titia me faz comer mingau

Óleo de fígado de bacalhau

Agora a vingança é total

Eu vou comer coxinha

Ela vai comer abobrinha

 

O vovô sim é bacana

Vira e mexe

Me faz comer banana

 

Ai, meu Deus, me socorra

Prometo ser bonzinho sem molequice

Eu faço tudo por um sanduíche

 

Ser criança não é fácil

Algodão doce, sorvete e amendoim

Já estou conformado sim

Para ter saúde e brincar muito

Muito mesmo, como um louco

Tenho que comer de tudo um pouco

 

Brigadeiro

 

Tem um doce cavalheiro

O meu doce preferido

Aquele mais querido

Mistura de branco com preto

É a cara do povo brasileiro

 

Minha avó o faz para mim, no fogão perto da janela

Ao final, minha irmã fica com a colher e eu com a panela

 

Nossa, que delícia de lamber o beiço

Mamãe chama atenção, mas não há briga

Vou matar a minha lombriga

 

Adoro brigadeiro

Meu tio disse que é coisa de aeronauta

Então eu viro astronauta

 

Ai! Céu pretinho de brigadeiro

Mar enfeitado com açucar de confeiteiro

 

Leite condensado, chocolate, margarina

É a receita preferida da criançada

Todo mundo nesta hora não tem idade nem nada

Jovem, velho, menino ou menina, toda gentarada

 

O ponto é o segredo

Porque tem que sair uma bolinha

Em chocolate granulado é passado

Macio e derretendo vai para a forminha

 

E por fim escondidinho

Vai para a nossa mão

Direto para o bocão

 

Matemágica

 

O um é um palito quebrado

Todo dois é um pato, sem bico e sem rabo

 

O três é um amigão

Com dois três

A gente sabe como vai o pulmão

 

O quatro é demais

Separa tudo em partes iguais

 

Dividido por um e por ele mesmo

Cinco é um número de família

É primo, sem ser filho da titia

 

O seis é um machão

No entanto, vira menina

Sem dó nem piedade

Quando é a duzia pela metade

 

O sete é orgulhoso

Mágico e maravilhoso

Se acha o maioral

Na casa do numeral

 

Trança para cá e pra lá

De repente, o oito

Se transforma em um biscoito

 

O nove é um número indeciso

Vive dividido

Ora com um, ora com três

Faz análise sintática

Com um psiquiatra português

 

O zero é uma bola

Que usado na direita

Sempre aumenta a receita

 

De menos ou de mais

Dividir ou multiplicar

Ímpar ou par

Vamos brincar?

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.