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Coletânea de Poemas e Ensaios XIII

O Barbeiro de "ervilha"

 

Meu pai é bravo

Disse que meu cabelo

Parece crina de cavalo

 

A madrinha faladeira

Disse que ia me levar na cabeleireira

Eu não sou menina, pô!

Vou cortar o cabelo

No barbeiro do meu avô

 

Meu primo é da Marinha

Quer que eu corte escovinha

 

Tenho um amigo meio estranho

Disse que ornaria o jeito moicano

Com clara de ovo ficaria relax

Eu fugi desesperado

Ia parecer um Tiranossauro Rex

 

Mamãe acha que eu estou fazendo drama

Falou sobre uma tal ópera

Chamada «Barbeiro de ervilha»

Com uma linda música, o «Fígado»

Nunca vi em toda minha vida

Um barbeiro gostar tanto de comida

 

Meu avô me deu a mão

Antes do barbeiro, vamos passar no seu primo João

Chegando lá, estava a maior festa

Todo mundo falando que ele era bicho

Estava todo melecado, pintado e de cueca

Olhou pra mim e pro vô e disse:

Você vai ter que cortar careca

 

Eu fiquei quietinho

Pois quem corta o meu cabelo

Sabe direitinho

Que o meu gosto

É do estilo topetinho

 

Silêncio

 

Um dia sonhei com a imensidão do verde

Com a realidade do azul acinzentado

Do encanto do caminho branco listrado

 

Sonhei na tonalidade de todas as cores

Vibrei nos tons de todas as escalas

Quis entender todas as falas

Fui a direção de algum louco

Diapazão eterno sonolento e rouco

 

O fogo do calor me toma e me solta

Cristalizada de um suor que não derrama

Impregnada de um aroma aroxeado e lento

Vejo lençóis brancos em varais ao vento

 

Sinto o cheiro da relva depois da chuva

O sol se abrindo amarelinho

No entoar do passarinho

A brisa fresca espalham as folhas molhadas

Argila de vasos e mãos avermelhadas

 

Sabor de todas as frutas

Ardor de todas as lutas

Servidão do homem e seus humores

Máscaras de atores

 

Água

Cura, limpa e pura

Bálsamo, benta e cálida

Silêncio, água

Solta no vértice

Presa em cálice

Cale-se

 

Coragem

 

Sinto o ar pesado, meu pensamento incandescente

O cheiro do mar impregna minhas narinas

Salinidade estonteante embriaga a minha mente

Sofrimento algoz me atordoa

Música de sereias nos meus ouvidos entoa

 

Aquele contínuo movimento da maré hipnotiza

Jogo de cartas, penso no futuro, não vejo saída

Olho o céu cintilante de estrelas, magia de pitonisa

Traz delírios vãos de tragédia que eterniza

Não vou rir, muito menos chorar, somente olhar

 

O tempo volta contra si mesmo

Paralizam-se as bússolas, voltam-se os ponteiros

O relógio de sol é envolto pela lua

Tudo neste momento fica a esmo

Para passagem sua

 

Minha existência é absolutamente desértica

Por isso procuro o mar

Lanço-me nele, tentando amenizar a minha secura

Ali na areia contínua, sem mais nem porque

Esperando por você

 

A noite caiu

A maré subiu

Você não surgiu

 

Não existe nada mais sutil

E nem nada mais difícil

Do que ter e não poder

Estar sem ser

 

O que eu espero desejo e quero

Em qualquer sentimento ou linguagem

É a determinação da vida, que sem ela nada se faz

CORAGEM!

 

Manheeeeeeeeeee

 

Manheeee,a senhora não sabe o que aconteceu

O meu dente amoleceu

O seu Doutor dentista não mente

Disse que iria cair o meu dente

 

E agora

Eu de janela

Só vou poder comer carne de panela

 

Se eu contar para minha avozinha

Ela vai amarrar uma linha

Na maçaneta da cozinha

Então, eu não vou perto dela

Senão fico banguela

 

O meu amigo está sem o dente

Disse que tem que ser esperto

Porque sempre vem a titia

Querendo tirar fotografia

 

As meninas ainda usam batom

Vermelho, assim, sem rodeio

Para esconder o buraco no meio

 

Ai! Minha Nossa Senhora

Queria ter a coragem do Antônio Emanuel

Por própria iniciativa

Colou o dente na gengiva

Pena que não deu certo

Foi parar no hospital

Porque Super Bonder faz mal

 

Como eu já sei que não tem jeito

Meus amigos tentaram tudo

Acabaram em vão

Com o dente na mão.

 

Aiiii, é Zero!

 

E agora

É só tirar zero que a gente chora

Meu irmão chato ri e fala

Você foi mal na escola

 

Pensando na forma do meu zero

Parece metade de um oito

Ou um certo biscoito

 

Sinto como como se fosse centro

Com um buraco dentro

Só pode ser uma letra

O «o»

Como o zero, o encrenqueiro!

Preste atenção

Em que letra termina o palavrão

 

Zero a esquerda não vale nada

Mas a minha professora

Não pensou no lado

Nem no meio

Só escorregou a caneta

E foi o zero para a minha caderneta

 

Quem me deu a notícia

Foi um colega ciumento

Pois sou aluno nota dez

Mas eu sei que sou marrento

Tirei zero em comportamento

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.