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Coletânea de Poemas e Ensaios XII

Nós todos, todos nós

 

Vim aqui lhe ver

Atar aquele nó

Refazer as pontas

No nó nós sobrevivemos

Cordão umbilical

Nó na garganta

Sentimento universal

 

Nó na gravata

Nó dos enforcados

Vitima os endividados

 

Tem gente que dá nó

Em ingênuo e inocente

Quando não é conosco

Sobra o dó do enrosco

 

Dizem que o nó de marinheiro

É difícil desatar

Nós usamos em caso particular

 

Noz-moscada

Nostradamus

Nosferatus

 

Nós dos ventos

Nós dos compartilhamentos

Nós dos sentimentos

Nós dos verbos

Meus versos

 

Noz da nogueira

Nó da madeira

Marca a idade inteira

Foice que marca

Foi-se a marca

 

Sedução pela palavra

Contornos e entremeios de nós

Nós mesmos

Assim no fim

A sós

 

Cinquenta anos

 

Claridade partida na metade

Nesta idade

Nem noite, nem dia

Outono em primavera

Cansada, muito trabalho

Sentada na soleira de um portal

De tão antigo pareceu-me imortal

A brisa fresca do dia passava

Fazia coro com o pôr do sol

Com a presença do rouxinol

 

Este dia não passa

Parado no tempo do pensamento

Entrecortado por cheiro de flores de laranjeiras

Propícias da época enfeitando soleiras

E o tempo complacente

Nos deixa mais consciente

 

A riqueza de olhares profundos

Soprando os sonhos do mundo

Ficando os galhos floridos

Muitas vezes alvos, brancos cabelos

Olhos sutis, gestos gentis

Outra vezes coloridos

De lembranças infantis

 

E o tempo passa prolongando a vida

Vou olhar o horizonte

Dele extrair a fonte

De uma velha juventude

Que somente passará

Juntamente com o sabiá

 

Haverá um dia derradeiro

Por certo de corpo inteiro

Jamais insosso sem tempero

Irei embora sem receio

Porque vivi o sentimento

Do amadurecimento

 

Pingo

 

Torneira que pinga

Chão úmido e lamacento

Corrente de ar na janela

Farfalhar das cortinas

Barulho de taramela

 

A torneira com pingos

Ternos com vincos

Festas, luzes, resplandecentes

Música, dança, pessoas contentes

 

A torneira pingada

Noite enluarada

Calçada encharcada

Com a chuva da madrugada

 

Tornei-me um pingo

Grosso e nodoso

Caio pesado, barulhento

Feito lama ao sabor do vento

 

O vento cresce e inunda

O vendaval se aprofunda

O pingo pesado e nodoso

Segue um caminho tortuoso

 

Entra com a força da natureza

Deixa-se tratar num ritual

Semelhante a um cristal

Transforma-se profundamente

Em uma água sem igual

 

De alí para adiante

Vai ao longe do horizonte

Que além de água corrente

Abriu-se uma nascente

 

Força imensa sem fim

Que pinga piedosamente em mim

 

Labirinto de criança

 

Ao entrar em um labirinto

Existem várias entradas

O da direita vai para o centro

E no miolo fico preso dentro

 

O da esquerda é uma teia

Então minha canela bambeia

Não sei se vou ou se fico

Virado de lado

Me sinto arrepiado

 

Xiiii..., me dá vontade de fazer xixi

 

Este aqui é mais engraçado

Parece um rocambole

Escorrego na massa

Lambuzo no doce, sem rodeio

É como levar um tombo feio

 

Aquele alí faz que vai, mas vem

Quando volta confunde também

 

Pensando bem se o labirinto tem

Muitas entradas e uma saída

Eu sou criança, mas não sou boba nem nada

Entro pela saída e saio pela entrada

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e bacharel em Direito, Voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.