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Coletânea de Poemas e Ensaios XI

A covardia

 

Sentimentos atrozes

Mentiras articuladas desvalidas de honra

Destruídos, arruinados, atropelados

Entorpecidos , enegrecidos

 

Torpes , negros veludos da solidão

Servidão da palavra pensada e não pronunciada

Maldito aquele que amordaça a minha boca

No serrar dos punhos treme

Não!

 

Inação absurda

Sim!

É a típica solução dos covardes

Atordoa-lhes o vil metal

O tilintar do ouro povoa-lhes a mente

Escorre-lhes veneno pelos dentes

 

Sociedade corrupta deturpada, invertida

Status, propriedades , modus vivendi

Extremamente divertida

Milão, N. York , Paris

Tudo alto na ponta do nariz

 

Me divirto dentro do seus covis

Alimento-me com leite de loba

De repente uivarei ao luar

Respeitar-me-ão porque há que saber voar

Me imporei pelo jogo

Dançarei ao redor do fogo

 

Cumprirei um ritual frenético

Alcateia reunida em liderança

Lançam-me lanças

Impropérios desmedidos

Devolvo-lhes risos

Prendem-me em cadeias

Devolvo-lhes ceias

 

A última lança sádica

De má intenção

Suja,imola e crava

Na minha indignação

 

Sigo assim tanto de noite

Quanto de dia ,

Diuturnamente perseguindo

A covardia

 

Aos olhos de quem vê

 

Pinceladas sem retoques

Nada nem ninguém a reboques

Escada sem corrimão

Cama sem colchão

 

Totalmente céu

A deriva soltamente ao léu

Ventos soprando deformando o capim

Perfumando o meu jardim

 

Cheiro de terra molhada

O farfalhar da passarada

Na figueira a pousar

Tudo num suave balançar

 

É o berço da natureza

Que entoa uma canção de ninar

Em seu auge crepuscular, adormece

 

O quadro está pronto

Tela e enquadramento de uma visão

Cheia de emoção

 

A moldura é um batente espetacular de embaúba

As cores são de uma mistura perfeita

Tinja, tinta, tingida

Não finja cinza, constrangida

Tinja com tinta tingida

Pura de palheta limpa, sem tinta

 

Gramática de chupetas

 

Adoro o " i "

Bonitinho

Fica soprando o pontinho

 

Diferente do ã

Sendo uma minhoquinha

Que aparece no final da maçã

 

O ce cedilha é um moço

Que põe um lençinho

Pendurado no pescoço

 

O hífen trabalha de segunda a sexta-feira

O sábado e domingo,vira brincadeira

 

E o ponto de interrogação

É curioso e perguntador

Como esquecê-lo na mala

Quando vira cabo de guarda-chuva e bengala

 

O ponto de exclamação

Sensacional

É de todos o melhor equilibrista

No meu ponto de vista

É um pau fino sem inchaço

Em cima do nariz do palhaço !

 

Circunflexo, meu Deus do céu

Que nome danado este

Para dar-se a um chapéu

 

O agudo então, coitada da letrinha

Foi um raio que caiu na sua cabeçinha

 

A crase batendo continência

À moda do cabo para o general

Fica orgulhosa sem igual

 

Virgulas são comuns nessses meios

Verdadeiras nas ações

Mas são responsáveis, por muitas

Separações

 

Ao final cito o asterisco

Como uma estrela de criança

Parece um rabisco

Cheio de chuvisco

 

Perto de você

 

Quero emudecer diante das palavras

Ser o crepúsculo do dia

A abertura da porta

O entrelaçar dos ninhos

A curva dos caminhos

 

Inteira , trago trabalho

De uma madrugada inteira

Sem uma gota de orvalho

 

Sou a seca do deserto

De solo rachado, árido

Inclemente

Absolutamente nada

Inexistente

 

Aquela a sede derradeira

Do secar a floreira

Areia dos vendavais

Velas apagadas dos castiçais

 

Nunca me agarre nem por brincadeira

Solta na poeira

De alma livre, desacompanhada e só

Não há quem desate este nó

 

Sentimento, o cheiro, o som

Tudo que não se vê

O vento, o perfume

 

O escuro do vaga-lume

O frio da cachoeira

A dor do espinho da roseira

 

Sem nada nem porquê

Incrivelmente

Estou sempre

Perto de você!

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e bacharel em Direito, Voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.