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Coletânea de Poemas e Ensaios X

Desenho figurado

 

Um pequeno sombreado

Solstício inacabado

Acompanhado

Desenho figurado

Indeterminado

Claro e escuro perfeitos

 

O traço evolui e conclui

Homem vitruviano

Circulo

Dois triângulos

Ponta a ponta

Conta, canta e encanta

 

Terminação nervosa

Um simples pensar

Eternamente no ar

Flutua pesadamente

Concupiscência do luar

 

Traço perfeito, raciocínio certeiro

Sinto-me pequena por inteiro

O grandioso não me atrai

A pequenez humilde e latente

É como o sol no poente

Num mesmo instante

Vigoroso lindo e distante

Morre ao cair do dia

Para que a Lua sorria

 

Cada um com o seu destino

Fatalista, não importa

Um grão de areia que no olho permeia

Pode provocar uma cegueira

 

Ficar sem ver não é nada

Pior seria uma visão dilatada

Deformada por si só

Enxerga tudo com um nó

Aquele de marinheiro que não desata

Íris em catarata

 

Nuvem, bruma, desumano

Nada conserta um engano

Caminho meu no rumo seu

Infernal

Dois rumos diferentes

Um só ideal

 

Quem sabe nessa vida

Em vez de encruzilhada

De maneira inusitada

Seu olho veja o meu

Largo e contente

Um caminho diferente

 

Rosa rosa sobre a neve

 

Inacreditável, insólito,impossível

Tratamento de choque, sem opção

Intrinsecamente, tétrica sem emoção

Estatelada , arregalada e sem sentido

Aquilo que achava está perdido

 

O nexo causal é irrelevante

Completamente distante

Lá ao longe no arrebol

Roxo azulado

Um dia sem sol

 

Acompanhando de olhar fugidio

Fora, transparente, se converte

Quando a minha pele se inverte

Introspectiva como um ouriço

Deixo-me arrebatar, cansada espreguiço

 

Ouriço é mais do que eu

Pois tem carapaça, intocável

Sem sentido, nem medida, imune aos carinhos

Sinto inveja dos seus espinhos

Do couro forte inquebrantável

Diferentemente

De pele fininha me fere primeiro

Que expõe por inteiro.

 

Gostaria de espetar, mas desisto

Me dói , eu serei a primeira vítima

Como primeira serei última

Me enlouquece, o estar sem estar

O ver sem enxergar

O andar sem sair

O ficar sem vir

 

Quero tudo do nada

O branco sem as cores

O perfume sem odores

Pétalas sem flores

 

Impossível rir sem estar contente

Conviver com a morte iminente

Dissimular o encarnado

Sem vida não existe nada

É esse nada que procuro

Eu sou assim

Absolutamente sem fim

 

Do pó exalado, inspirado, sem correntes

Livremente aprisionada

Num cárcere sem saídas e sem entradas

Sou palavras desencontradas

Uma coisa qualquer

Destilada, misturada e sem textura

Um pedaço, lancetado com um espinho

Como uma rosa rosa na neve,

 

No entanto por um instante

Enquanto o frio permanece

Deixo o meu molde

Sem perfume, quebradiça e inerte

Flor morta congelada

Deixem-me assim

Desarmada

Um molde na neve, que com o calor

Derrete e desaparece sem dor

 

Estrela Cadente

 

Sem alarde, calada

Sem maldade, amada

Independente

Demasiadamente inteligente

Sorte acompanhada

Inegável privilégio

Abrupto, rápido e diferente

 

Na cor do amor e imensidão

Cata-vento, redemoinho, furacão

Enorme sensação

Vai e corre, ilumina e sai

Suavemente a andar

Deixo-me girar, girar...

 

Olhar redondo, de viés e aberto

Sem rodeio e lógica

Simples cortesia principesca

Pouco pitoresca

 

Uma água marinha

Azul do céu, lenços a voar

Lágrima iluminada resplandecente

Linda como uma estrela cadente

Caia sempre

Expluda a minha mente

 

Procuro uma balança

Sem pesos e medidas

Riso displicente

Nascente perfumada

Água ardente não alcoólica

Da bica

Livre desatino estrambótica

Destemor completo

Inspiração desnuda

Difusa mas, contraditória jamais

Somente letras e nada mais

 

Folha em branco

 

Sempre gostei de digramas, fonemas e pentagramas

As folhas de papel bem desenhadas e coloridas

Eram as minhas preferidas

Hoje depararo-me diante de uma folha de papel totalmente branca

Nela posso fazer o que quiser...

Um desenho ou um poema

 

Uma folha de papel em branco

Hoje é isto que quero ser

Um desenho imaginário passa-me e não o reproduzo

Propositadamente não o faço, pois o papel em minha frente

Branco e sem nada é inusitadamente diferente

 

Antigamente, imeditamente ele estaria preenchido

Hoje paro para olhar a sua alvura, simetria ,

Imensidão profunda de algo totalmente puro, imaculado

Imagino um poema, tento escrever , mas não o faço

Quero aquela página assim, fininha no espaço

 

De repente vem um vendaval

Traz a areia lá do quintal

Passa pela mesa e minha folha voa, voa

Deixo-a livre a mercê da natureza

Ela poderia estar desenhada ou escrita

Pouco importa, não é minha mais

Voa pela janela , destinada a outros quintais

 

Quem sabe alguém a ache

E a trate com dignidade delicadeza

Dada a sua leveza

Pode se transformar em tudo

Qualquer parte da natureza

 

Mas um pouco de mim também se foi

O meu perfume, as minha digitais

A minha imaginação e outros que tais

Uma folha em branco é muito mais

Sou eu por inteira , solta nos vendavais

Pousarei a sombra do cajueiro

Que plantei e o vi crescer por inteiro

 

Em uma folha em branco existe uma alma

Deitada debaixo daquelas folhas deixadas pelo outono

Inerte, estagnada e só

Com um destino certeiro, e evidente

Um dia se tornará pó.

 

No pó não se desenha e em se faz poema

São partículas, nada ridículas, mas o pó vai além

Em um sopro ele se espalha, livre no ar a pairar

E minha alma ficará no primeiro em que passar.

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e Bacharel em Direito, Voluntária Internacional

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.