Sites Grátis no Comunidades.net
Coletânea de Poemas e Ensaios VIII

O arco da íris

 

Muitas vezes

De saudades também se morre

Num morrer suicida não assassinado

Virado do avesso, atropelado

Olhos fundos encarnados

Dissecando de todos os lados

Há lado que vai e que fica

Aquele que vai se livra

O que fica, prende

Num prender louco,sem grilhões

Somente a iris com suas impressões

O arco da íris, arco íris

Eu sou probre

Não tenho nada,só corpo e a alma

É pouco, mas um óbulo nobre

Num abrir e fechar

Num piscar

Ir ou ficar

Um corpo sem alma

Quero a sua!

Acompanhe-me

Enriqueça-me

Prometo cuidar bem, pois não há nada mais bonito

Que gêmeos de corpo e alma, também

Almagamadas, misturadas

É sede saciada

É noite enluarada

São pássaros em revoada

Quero emoldurar o sentimento

Pele em armadura

Vou falar com carinho

Dançar serena ao redor do ninho

Enovelar meus braços e nunca lhe soltar

A vida não é assim, não quero nada para mim

Já tenho um punhal cravado

Encrustrado,

Num lugar seguro,enclausurado

num falar mudo, mas perfeito

ar rarefeito, denso e pesado

Sol em clave, dó com lua

Escritor em si, poetisa lá

Ré de sentimentos

Sonhei em mi menor

Transformou-se em fa maior

Semifusa,confusa

Semicheia é estar vazia

Você é a letra e eu a música

Enfim,eu em você

Você em mim

 

Estar em Cristo na Páscoa

 

Estar em Cristo é renascer. A cada dia que se passa, a cada experiência nova. A iluminação perfeita.

O ressurgimento em Cristo é um estado de êxtase completo. Congraçamento total.

O filho do Homem mostrou a riqueza da miserabilidade. Como se completa com um simples estado da alma. O valor do bem estar ao realizar-se com o próximo. Entregar-se com objetivo único de servir. Não existe amor mais profundo e mais completo.

As suas chagas expostas mostra-nos que não há dor que não suportemos. Ao sentir-se desamparado pelo PAI, revela-se totalmente humano e entrega-se ao abandono. Portanto, nunca abandone e desampare.

Sirva o seu semelhante com o cálice da bondade, fraternamente como o seu exemplo.

Dê a água da esperança, que na Cruz, foi-lhe negada.

Não se preocupe com a vaidade do corpo, porque sendo a vestimenta da alma, não pode ser mais importante do que esta.

Experimente saciar a fome do irmão tendo somente um pão para repartir.

Você multiplicará os peixes.

Ande sobre a água da fé e sabedoria.

Não fuja de suas reponsabilidades de ser homem, junto ao Nazareno.

O seu caminho é a verdade e a vida.

Páscoa é a ressurreição do espírito envolto na carne.

Seja dígno de ser Cristão!

Tenha piedade, alimente o espírito!

Pois através dele poderá ser chamado Filho de Deus.

 

Humildade

 

Egos são extremos e vazios, fantasiosos e febris

Ao passar dos ventos levam as folhas que caem sutis

Artimanhas, armadilhas dores sem fim

São daqueles que se vêem no olhar alheio e se entregam assim

Noites e dias se vão, nos claustros os sentidos estão

Vão condicionados, sozinhos e ocos

Há que parar, e olhar para dentro sem dizer nada

Sôfrego, estático, instantâneo olhe para o centro

Édipo em si, aquele que lhe acompanha

Cai, incontrolável rolando pela montanha

Nós somos seres comuns

Irmanados em uma só direção

Face a face, pele a pele

Súbita discriminação

O ser que só quer vencer, humano não é

O escárnio, o desdém, a malícia o mantêm

Não cobre de quem lhe empresta

O precisar, é o que interessa

O muito, para quem tem, não basta

É o bastante ajudar de graça

Nada se compra, nada se vende

Tudo se troca, num escambo evidente

Prevê-se o futuro fazendo o bem

Olhe para cima, existe alguém

Moeda por moeda prefiro a minha

Não tem coroa, rei nem rainha

Dos dois lados tem somente uma cara

Coroa eu deixo para realeza em geral

Porque pensa que é imortal

Eu prefiro a morte

Vil sortilégio

Não quero a companhia de um privilégio

Estremecer, suspirar e partir

Haverá algo maior a conduzir

Vou-me embora sem trauma

Levo o corpo e deixo a alma

 

Sentimento desmedido

 

Não encontro nada

Sorriso estampado, olhar escancarado

Aberto longínquo encantado

Olho para mim, olho para alguém

Mas só meu olhar interessa, a mim e mais ninguém

Lá no alto ou, no serrado seco e vazio

É noite e o sereno cai, enfeitando a noite que se vai

Vai assim lindo num serenar mansinho

Iguais as lágrimas que rolam devagarzinho

Aquele olhar baixo, sentido e desmedido

Vai ao longe atravessa o infinito

semente

Ser somente

Um querer puro é ficar sem nada

Minha semente plantada, esterelidade abusada

Completamente desenganada

Números meus

Inúmeros seus

Sobrou- me o ser somente

Só mente, mas não mente

Verdade latente

Paradigma completo e enigmático

Como um sopro sem ar

Certamente um vazio lotado,lavado

Preto no branco, acinzentado

Completamente sujo e sem cor

Agora não importa mais as faces, lágrimas perdidas

O certo é olhar para cima em seguida

Difícil enxergar sem poder ver

Sou um espectro de nada

Um ser somente semente

Terra, água e ar precisaria

No entanto eu sou o fogo que queima

Onde nenhuma semente germinaria

Deixo faiscas e feridas marcadas

Miserável legado

Não há retorno e nem saída

A entrada é arriscada, é preciso coragem

Muitas fases, alta voltagem

Perigo! Em choque sem curto

Pois é longe interminável

Não toque, totalmente indelével

Lúcidamente indomável

Não é paupável

Ação consumada

 

Brilhante

 

Como consertar o que foi quebrado

Um sentimento tão sutil e suave como um sopro.

Algumas vezes conserta-se, outras vezes esvai-se

Se for um cristal, partirá em mil pedaços

Se for um diamante lapidar-se-á os lados

Mas se for um brilhante apenas mudará o brilho

Aleatoriamente multi facetado, espelhado

Existem coisas inquebráveis, pessoas brilhantes

Ser a própria luz, brilhar.

Isso não é o certo

Certamente é dar a luz!

Iluminar, visão total, absolutamente sensorial

Sem marcas e sem riscos, incólumes

Somente raios, um a um

Depois um feixe

Adiante, o sol

Ser sol

Solidário, solitário

Solícito.

Sozinho.

Eu e mais ninguém

O meu eu é dolorido, fogo ardido

Que não cessa, que não para, mas

Não vai, nem volta

Circula em si mesmo, contra o seu próprio eixo

Cansaço total

Rosto no chão sente o cheiro de terra molhada

Água espraiada derradeiramente derramada

Para que? Para nada

Gira pião, na palma da mão

Eu sou uma alusão, livre sem direção

Estóico ser amarrado vá você

Controlar-se!

Prefiro o meu eu enveredado nas colinas

Mas de mim não sobra nada

Gasto tudo, sobra você

Vive em mim e não sabe de nada

Minha parte mais encantada

 

Tintas misturadas

 

Nem tudo faz sentido

Aliás seria bom não sentir

Sentir é algo que exige demais

Controvérsias se fazem por querer demais

Ninguém é totalmente livre

Ninguém é totalmente preso

Liberdade relativa é condicionada

Nem tudo que se quer pode-se

O perceptível invisível

Iminente fuga

Incontrolável controle

É cercear a liberdade

Liberdade cerceada é a mesma que encarcerada

Para poder pensar

De mim tenho que me libertar

Então fujo

Mas fugir não serve

Amarro-me aos meus preceitos

Quero falar o inexpressivo

Olhares, gestos, sentimentos, convicções

Quero controle nas ações

Deixem-me criar

Pintar com letras, quadros sutis

Minhas tintas misturadas

São pensamentos soltos a voar

Livres e soltos no ar

Somente calada penso assim

Sozinha me liberto

Não desejo que me escutem

Silenciosamente ganho no pensar

Me completo acompanhada

De um parceiro encantador

Não preciso falar nem pensar

Somente sonhar e amar

 

 

Rosana Bonsi Theodoro

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.