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Coletânea de Poemas e Ensaios IX

Homem e mulher

 

Felicidade completa

De alma e de corpo

Estampada no ar

Sem cerimônias, ardis ou covis

Simplesmente amor

Mãos dadas ao destino

Loucamente abençoados

Eternamente enamorados

Sorrisos estampados

Como dois jovens apaixonados

 

Encontro casual, paixão imediata

Homem que é HOMEM, não retarda o compromisso

Mulher que é MULHER, não se acovarda diante disso

Completamente entregues diante de uma força maior

Fatalmente predestinados

Totalmente arrebatados

 

Passam-se minutos, horas e dias

Entrelaçados cada vez mais

Enxergam-se em si

O conversar até altas horas

O rir sem parar, abraçar e beijar

Entregar-se é ter segurança

 

Meu marido és-me

Como eu o sou

 

Olhar de outono

 

Olhos serrados, cúmplice do nada

Visão estreita, seguindo o lugar

Folhas a decorar o chão de outono

 

Flores sem vida exalando o seu melhor perfume

Ventos a uivar

Bancos da praça vazios, completamente sós

Dos barulhos da molecada e do cantar da passarada

Somente eu a fitar

 

Sinto o cheiro do vento

Bate em meu rosto, sentimento

Raios de sol envolto em nuvens

Teimam em clarear o lugar

 

O final da tarde é sempre triste

Resplendor insondável como se fosse

Preciso morrer para viver

 

Amanhã haverá um amanhecer

Como o tempo derradeiro

Dia após dia , a vida se escoa

Como a água escorrendo na lagoa

 

Aquele dia frio e cinzento está se finalizando

Finaliza-se um ciclo completo de tempo

Minuto a minuto interminavelmente indomável

Ontem e Hoje passaram-se, eu fico

Meu ficar é inexistente

Muito diferente

 

Existir como parte de tudo

Num eterno contemplar

Olhar sem importância

Veja-me se for capaz, pois não sou nada

Nem um grama de poeira

Nada.....é estar absolutamente solta

No ar, na luz, no vento,no pó

 

Surpreendentemente sofro

Por ver perder-se as folhas

Pelo florir interrompido

Tudo é atemporal ao fim

Mesmo sabendo que amanhã

Serei outra, efêmera inconteste

Eternamente em mim.

 

Golfo de Bengala

 

O Mar

Barulho repetitivo,ondas vem e vão

Golfo de Bengala

Luar cheio, luminoso

Arredio, inóspito, perigoso

Pescadores vão em sua eterna solidão

 

Golfo de Bengala

Berço da história de algozes

Dilapidaram suas ricas fontes

Especiarias, algodão, sal

Antiga Madras, a madrasta da

Índia

Diferentes povos de todos os lugares

Iguais em todos os luares

 

Golfo de Bengala

Impiedoso pela sua majestade

Sua ondas traçam uma linha simétrica

Hipnose profunda

Ritual sagrado

Ondas que vem e que vão

 

Ouço o seu grito

De um povo empobrecido

Pérola morena , linda e serena

Índia

 

Chennai, Nova Delhi, Agra ,Bombaim

História viva

Passado remoto

A Índia é assim

Maravilhosamente espiritual, espirituosa

Soberba mente apimentada

Sempre volto alvoroçada

Amo-te país por adoção

Pois foi por opção

Sou sua filha de coração

 

Gostar Diferente

 

Temperatura de deserto

Gelado como os Pólos

Latitude, longitude

Náufragos, bêbados poetas

Envenenam-se ou ressuscitam-se

Morte ou vida

Mudez completa, se o falar é pesado

Tortura em vão pois recuso-me a ouvir

Ouço apenas o que quero

O soar das labaredas

Vejo o vento que vem e que fica

Olho o perfume das flores, miudinho, imperceptível

As cores das palavras

Posso segurar o reflexo da Lua nas marés

O bravo silêncio de quem escuta e emudece por simples respeito a palavra

Atenção as armadilhas

A inconveniência do inconveniente

Do olhar soturno, mas sorridente

Engana-se quem acha estar enganando

Sepultura cavada,o restante é nada

O que passou foi bem vivido

O que não foi bem vivido, esquecido

Devoro a luz

Bebo sofregamente os sentimentos

É verossímil o tatear sem mãos

É inverossímel um mundo sem nãos

Conjunção sem astros

O sujeito sempre oculto

Belos loucos geniais que transformam o mundo

Síntese completa

O involuir dos ponteiros

Volta ao futuro

Tempo sem lapso, água sem gota, pensamento sem profecia

O nada ser

É assim que eu quero

Eu gosto assim.

 

Momento mágico

 

Fuga interminável

Passado não vivido

Futuro inaceitável

Presente ilógico,mas

O momento é mágico

Aos olhos dos outros

Alegre o que é sombrio

Clarão enegrecido

Poeira no ar, não vejo nada

Olhar alegremente tristonho

Abraço, enlouqueço,trabalho

Poderia ser e não foi

Entendimento profundo

Diálogo afortunado

Pingos trocados

De orvalho, da chuva e nos is

Horizonte aberto de nuvens espessas

O momento não é mágico

É um pesar completo

Luto, preto absoluto

Luto com todas as minhas forças

Batalhas inglórias e perdidas

Abençoadas e sofridas

Vejo o meu olhar em ti

Os meus ideais em suas mãos

O não formar, o não fazer

Não significa o não querer

É um dormir eterno, em preto e branco.

Devolva-me as cores

Meu olhar horizontal, reto e discreto e profundo

Vai longe, imperceptível

Sábia escolha mágica, mas opcão única

Por magia em um passe

Sou lenços ao léu

Que sentido terá

O farfalhar das folhas, o barulho do vento

O soar do canto dos pássaros,

O luar dos enamorados

Se estou presa em ti

Liberta-me! Ou encarcera-me totalmente

Liberta-se de mim

Enquanto eu estiver em ti, tu estarás em mim.

Vejo-te , vejo-me

As palavras foram perfeitas demais.

Deixa-me enlouquecer sem me torturar

Eu estou aqui!

Existindo sem mim.

 

Rosana Bonsi Theodoro Capotorto

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.