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Coletânea de Poemas e Ensaios IV

O tempo

 

Hora de chegar hora de partir

Hora de parar e refletir

São horas evidentes

Não adianta nadar contra correntes

Fortes nos derrubam, fracas nos sujam

Inteligência é fundamental

Quando a água passar ao contrário é fenomenal

Levam com força total

Esperar o momento certo e derradeiro

Envolve e fortalece por inteiro

Para o ponteiro

Tempo é um mistério irreverente

Coloca flechas na gente

Dói como uma rosa com espinhos

Linda mas dolorida

Pois os espinhos são defeitos de nascença

Primeiro espinham o próprio ramo

Ou é muito tarde ou é muito cedo

Discriminatório e arrebatador para muitos

Para mim é irrelevante

Certo, mas corrediço e distante

Faço os maus tempos com os tempos meus

Faço os bons tempos com os tempos seus

O meu é único, diferente do tempo de Deus

O relógio não conta, apenas conta

A idade certa é aquela que desconcerta

Vai-se tudo, vamos nós

Sem direção mas em busca da verdade

Cala e fica.

Solenemente e sem pressa desafiando tudo

Corre o mundo

De repente o que era para a

Vira-se para quem!

Mim e mais ninguém

 

Oitava dimensão

 

Olhar no espelho é um instante sem igual

Se gostar de si é um narcisista

Se odiar o que vê é masoquista

Infeliz daquele que olha e não quer ver

O reflexo de si em outro ser

Não importa o nele em si

Importa o conteúdo

Talvez engraçado, deformado

Maravilhoso ou realizado

Enxergar-se em outro é para poucos

Precisa-se olhar para dentro do espelho

Com verdadeira profundidade

Há uma dimensão entre almas

Não existem cinco dimensões

Olhar, ouvir, sentir, provar e tatear

A sexta é o sentimento

A sétima o próprio pensamento

Narcisista apaixona-se pela própria imagem

Qual imagem que se vê?

Puro reflexo!

Este olhar agudo e arrogante

Vem de fora, não vem da gente

Quem pensa que o espelho é um simples reflexo

Olha-se não vê o dos outros

Simplesmente a sua imagem.

Então o narcisismo não se conforma

Que existem imagens que refletem a alma

Esta ele não vê.

Narciso morre apaixonado por si

Tresloucado de inveja e de

Infernal egoísmo afoito e leviano

Desdém de quem é puro e sem mácula que

Olha no espelho e vê sentimentos.

São para poucos os olhares assimétricos

Entregar aos outros a própria imagem

Quando acontece enobrece não trava

A oitava dimensão é a palavra!

 

A Raiva

 

Existem algumas coisas que já nascem cheias de raiva

O figo da Índia tem um sabor magnífico

Mas cuidado ele, nos craveja de espinhos.

É impossível de pegá-lo, sem se machucar.

Mas com determinação e jeito podemos comer o sua polpa e se tomar o seu suco:

Néctar de mãe raivosa.

A rosa é linda, mas cobre-se de espinhos,

Deve-lhe doer primeiro, porque antes de tudo espeta a sua própria carne.

Mas podemos fazer dela arranjos maravilhosos.

O vermelho é uma cor que se expressa.

Só usa quem sente, e de personalidade ardente

Mas se misturarmos com branco,

Vamos conseguir um rosa suavemente.

Então o nascimento com raiva, é espetacular!

Cria-se densidade, autodefesa

Melhora ao misturar-se com tudo

Com jeitinho oferece a melhor parte

Raiva boa, que enriquece.

E quando menos se espera

Tudo aquilo que era espinhos e dor

Não era raiva.

Era só amor!

 

A maçã

 

Meu destino foi traçado em uma reta, como uma seta lançada em direção ao alvo. Não quero olhar para os lados e nem para trás e muito menos para frente, porque a este Deus pertence. Tenho, que ter uma visão periférica, de uma vida pré-determinada. Uma força maior vem,me subtrai divide e como uma operação matemática e sobra o resto. Suga-me até a última gota! Estou sempre me adicionando, porque de tanto me subtraírem, dividirem eu às vezes fico sem nada. Esse vazio, então é redimensionado

dando-me a oportunidade de me reinventar, e nesse movimento de mineralizar e desmineralizar a todo instante, sempre vem acrescentado algo diferente. Quando mineralizo não seleciono as coisas, pode ser um grão de areia ou um diamante pouco importa. Tudo tem sua função dentro de mim. A luz e o escuro., o amargo e o doce, tanto faz o inverno como o verão. Assim me reorganizo. Existem cláusulas pétreas, se descontituí-las, implodo a estrutura.Temo então lhe dizer, assim, como a maçã mordida em várias partes, não se consegue reconstití-la mais..Então eu não sou dona de mim, a minha melhor imagem não é reproduzida no espelho., e nem palavras que escrevo. O melhor de mim está no sorriso das pessoas. Ou talvez em uma maçã nova e viçosa, porque da outra só sobrou o cabo e a semente.

 

Vida

 

Escrevo para não perder o sentido, nem da intuição e muito menos a inspiração. Inspirar e expirar, simplesmente respirar.

Vida não é somente feita de atos opostos e intercalados.

Viver depende da razão dos libertários imaginários, ilusórios sem sentido.

Destino louco para os grandes de espírito, apaixonados pela sedução do inesperado.

Risos intempestivos, o que tem sentido não tem nexo!O risco é total, mas o rabisco é inconseqüente. Seres delicadamente puros, espectro da alma, me povoe!

Ecoe em mim o som do silêncio..Pensar exige respeito.

Escrevo, sem nenhum retoque, puro e cru.

Cruel é aquele que é perfeito e não faz nada.

Humanos seres que riem dos seus próprios defeitos e fazem tudo!

Não há lugar neste mundo ao qual definitivamente eu pertença

O pertencer a, não existe. Existe o permanecer em...

Tempo e espaço se confundem e se abstraem.

Deus leva-me, segure minha mão.

Amo-te,assim como és!

Deixa-me livre como eu sou!

 

Congo

 

Vou escrever com tinta sanguinolento, coagulado, e,de fora de mim para dentro de mim. Pouco me importa se dói, porque dói em mim. Olhem! Ainda tenho sangue correndo pelas veias. Rosto rubro de vergonha por pertencer a uma espécie tão humana. Então, dentro de mim eu berro alto, áspero, agudo e prolongado. Nada tenho a perder, a não ser a mim mesma, mas aqui vai meu suor me lavando até as mais profundas entranhas, de onde brota o que é mais íntimo. Eu sei que falso humano eu sou, por esconder o meu rosto diante do horror! Tenho coragem para o último berro, quero causar um terremoto com o meu grito, mas diante de Deus seria um uso abusivo da palavra. Maldita seja a cegueira! O jogo da violência tem que acabar. Hoje taparam o meu rosto e minha boca! Quero escrever noções, diante do meu Deus, porque diante dele só a covardia me envergonha!

 

Rosana Bonsi Theodoro

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.