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Coletânea de Poemas e Ensaios III

Sentido anti-horário

 

As horas são contadas

Eu preciso ter pressa

O tempo de Deus é um

O meu é outro!

Há sempre uma discrepância

No meu tempo!

Os minutos não sentidos

E os segundos, são segundos e não primeiros

E o equinócio, é um beócio

Tempo para isso, tempo para aquilo

Tempo de chegar e de partir

Infinitamente escravizado

Sou um ser anti-horário

Deixa-me acontecer

Quando cansasse

Poderia ir embora

Ou ser

Imortal

Ainda bem que:

Deus determinou a criaçao

Muito severamente, pois

Diante de Deus

Liberdade é:

O tempo suficiente

De viver para morrer!

Na atemporalidade

Deixa-se a realidade

Cumpre-se um ideal

Até o mais insano de todos

Portanto vou embora

Deixando a alma

e levando o corpo!

 

Beija-flôr (homenagem ao meu amor)

 

E vem chegando...

Meio sorrateiro, disfarçado, como quem não quer nada.

E como sempre, ele entra e exige tudo!

Quer que trabalhemos até romper o dia e a barreira do impossível.

Criatividade, vontade e verdade,

Sonhar, e realizar com personalidade!

Adeus erros do passado!

E rir, rir muito, ser irreverente, desarmado

Renovação, crescimento

Em 2008 quero um beija-flor

Vou adocicá-lo

Sentí-lo por inteiro!

Quero enlouquecer, dançar ao vento e viver um amor comigo mesma.

Rejuvenescendo a alma, embelezamos o corpo

Encantar, tratar bem, ajudar.....amar

Que ano lindo que há de vir!

Cheio de surpresas e superações.

Submeter-me ao belo, que me comove e encanta.

Que bom, estou viva! saúde!

Alegre realizada, mas inconformada, curiosa,

Quero poesia, música e pintura! A arte enfim

Loucamente sadia, e emocionada.

2008 eu estou lhe esperando. Maravilhoso, diferente, ardente.

Eu sempre vou em direção

À aquilo que me espera!

 

Dom

 

Minha memória é arredia

Deseducada, com personalidade própria

Desenvolve-se desatinadamente

Sem nenhum arrependimento

Descontrolada e livre

Exprime-se em fatos sentidos

Enxerga o que não vejo

Grava o que não quero!

No entanto é a minha maior arte

Recorrente e persistente

Não me esquece

Persiste em me desafiar

Vai do lúdico ao trágico em um só instante

Povoa-me e encanta-me e enlouquece

Fora de mim permeia as palavras com letras

Fora de si mostra um mundo que não vivi

Brinca com minhas experiências

O que quero lembrar esquece

O que quero esquecer lembra-me

Desatinada e misteriosa faz de mim o que quer

Que bom seria um

Instante glorioso de esquecimento

Dar-me-ia certo atrevimento

Quero uma memória sem raciocínio

Um concreto concretizado

Não o lúdico realizado

Misteriosamente fotografa

Em instantâneos tudo que vê

Seleciona o que gosta e o resto é resto

Não pede permissão desarvorada, e

Em flashes levo estocadas

Pessoas que já se foram voltam

Fatos submersos ressurgem

Eu vivo dela mais do que ela de mim

Estranhamente vivo assim

Eu nela e ela em mim.

 

Vice-versa

 

Experimente

Liberdade com convicção!

O inverso do inverso

Branco é a união de todas as cores

Encanta-me o misturar

Com todas as opções

Quero escrever

 

Esgotam-se todas as possibilidades

O cinza é inútil

Mostra-se sujo e sem cor

Na palheta de um bom pintor, mas

O cinza faz parte!

Experimente outras cores

Em um roxo de raiva

Com um azul puríssimo, resulta

O vermelho rubro da vergonha

 

Estas sim são cores maravilhosas

Azul do mar

União do amarelo sol

natureza cheirosa

Que tal um verde acinzentado

Burocrático demais

É um dia com vida

Não gosto do cinza

Do branco ao preto

Quero escrever em todas as cores

 

Tem que sofrer injustiças

Para poder ser justo

Experimente tudo

Experimente não alcançar um objetivo

Experimente perder um ente querido

Experimente sentir fome e sede

Experimente

 

LEIA DE BAIXO PARA CIMA

 

Ângulo de visão

 

Já molhei meus pés na fonte

Depois de uma caminhada na areia

Já vi o céu de todas as cores

Mas azul, este não é

Já vi almas perdidas procurando-se

Existe um labirinto

Com várias entradas e uma única saída

Eu começo pela saída,

Encontro a única chegada

Eu sei encontrar o caminho

É o da coragem displicente

O do atrevimento inocente

O da causa perdida

Do contexto indiferente

Aquele abandono, languidez, para mim é morte!

Morrer com vida é entregar-se a um rumo sem saída

Quero acordar sempre com problemas

Caóticos! Que lindos.

Trabalho contra.

Mesmo que o meu remo não tenha pá,

Com o cabo direciono o barco

Improvisando a vela, navega sozinho

Estrondosos e barulhentos são os algozes

Acham que são ferozes, implacáveis, indomáveis

Com o rosto limpo, meio sem jeito

Olho de frente sem nenhum receio

Ao lado de um lado tem outro lado

Distante, desconexo. Imperfeito

Não sobrou nada, escuro, imenso vazio

Do nada, faço tudo

Do escuro, se vê mais estrelas

Imenso vazio? preencho com alma!

Essa desmancha qualquer grilhão

Porque não precisa de nada

Muito menos de pão!

Pão esmolado encarcerado

É um chorar vitimado

Servil vítima jamais

Servir parece obtuso

Gosto deste ângulo

Melhor do que um não reto ou agudo,

É um sim humilde, mudo e maduro!

 

Memórias

 

Esquecer é uma fuga,

Deixa-me esquecer

Esquecimento indelével,

Inalienável, que nos faz sonhar

Não seriam sentimentos vazios

Somente esquecidos

Se pudesse escolheria

Por pior que fosse esquecer

As passagens mais alegres e fáceis

Ficaria com as tristes e mais difíceis

Não sou covarde gosto da verdade

Sobraria-me mais espaço

Minha visão seria periférica

Meus sentimentos esplendorosos

A dor enobrece ensina

Caberia mais ousadia

E nada de covardia

É preciso consciência

Um pouco de inteligência

Mas indispensável mesmo é não desistir

Ir ao âmago dói, queima

Num queimar novo, diferente

Desafia, e incomoda

Será o real inexistente?

Realismo demais enlouquece

Realismo enlouquecido simpático

Isso é bom

Não esmorece, empurra e só, mas

Continuo a não esquecer

Deus sempre se importou

Em me dar prazer

Então eu me rendo

Mesmo que eu não queira

Intencionalmente

Ele sorrateiramente

Insiste me deixar contente

 

Cotovia

 

Eu não digo palavras doces

As minhas palavras

Não precisam a estética e forma

Precisam da lisura e força

Palavra dada no entanto é séria

Não há como brincar, sem ter honra

Infeliz bufão que desonra-se através delas

Malediscentes, e mau formadas

Não trazem boa sorte

Palavras são como gente!

Se sente quando mente

Deformadas sem alma e sem cor

Não são nada!

Não alcançarão o seu intento

Porque são palavras jogadas ao vento.

No dia seguinte há de vir um belo raiar de sol

Assim sempre ouvirei o som da cotovia

Avisando-me para procurar os ninhos

Pois com o vento de palavras desalinhadas

Os levaram à um lugar indesejado

Aí digo logo!

Construiremos novos ninhos!

Fortes que resistam ao vento

Porque as palavras verdadeiras

Assimilam tempestades

Nem a candura e a doçura

Nem o beija-flor ou o cardeal

Nos visitarão no vendaval

Assim teremos um só destino

O meu no seu cantar

O seu no meu falar

Inexpugnável

 

Riso

 

Rir sempre

Num eterno prazer

Por dentro e por fora

Num gargalhar sem fim

A delicadeza e a profundidade em várias nuanças

São tons que variando de tom para tons

Sobretons

Colorem os olhos

Afinam os instrumentos

Demonstram as colocações pessoais

Do branco ao preto

Do dó ao si mesmo

Quando em notas musicais

Sinfonia

Quanto aos sentimentos

Agonia

Prefiro a interpretação

Com dó menor, sem piedade

Dói mas diverte

Nesse gargalhar sem fim,

Rindo de mim ,

Já que possuo tudo.

Do céu ao inferno.

Purgando os meus pecados, rio

E nesse rio me encharco

Riso encharcado é duplamente usado

Sacia a sede e renova a alma

Ah! Riso escancarado

Esse não dá para inverter

Mas dá para verter.

Banha-me num jorrar sem fim

Porque a finalidade do riso é

Descontrair e enternecer

 

Rosana Bonsi Theodoro

Dentista e bacharel em Direito, voluntária internacional.

Apaixonada por pessoas que gostam de pessoas.